Empresas: unam sustentabilidade à lucratividade

A recomendação é do diretor de sustentabilidade da SAP América Latina e Caribe, Pedro Pereira. Segundo ele, é a hora de fazer, de ocupar para não correr o risco de ficar para trás.

O diretor de sustentabilidade da SAP América Latina e Caribe, Pedro Pereira, define quatro metas para a criação de uma empresa sustentável. Até porque, lembra, muitas pessoas dizem que empresas devem se preocupar com o planeta e com as pessoas porque seus clientes e funcionários exigem isso.

“Acho que elas deveriam preocupar-se porque essa é a coisa certa a fazer. Ainda mais importante, elas precisam ocupar-se. Aquelas que não fizerem isso correm o risco de ficarem para trás. É fato que estão surgindo no mundo modelos de negócios que colocam as pessoas, o planeta e a lucratividade em pé de igualdade. Dentro de alguns anos, esses modelos serão o padrão e terão reinventado a forma como as empresas geram valor”, pontuou o executivo.

Segundo Pereira, tanto na América Latina quanto no resto do mundo, esse é o futuro. Hoje, reforça, é possível ser sustentável e lucrativo ao mesmo tempo. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, empresas que colocam a natureza em primeiro lugar vão gerar US$ 10,1 trilhões por ano em oportunidades de negócios e criar 395 milhões de empregos até 2030. De mãos dadas com as crescentes regulamentações, investidores ‘verdes’, mudanças políticas e sociais, lucratividade e impacto estão cada vez mais interligados.

Pereira lembra que assumiu um compromisso duradouro com a sustentabilidade e tem aprendido muito sobre como medir e gerenciar o impacto dos negócios sobre o planeta e as pessoas. Dessa forma, ele compartilha algumas lições sobre criar uma empresa sustentável:

  1. Estabelecer uma estratégia de negócios com sustentabilidade – tanto do planeta quanto das comunidades – em seu centro

É importante estabelecer uma estratégia sustentável e não tentar agregar questões de sustentabilidade ao antigo modelo de gestão e governança dos negócios. Para gerar benefícios reais, a sustentabilidade deve ser incorporada em todas as principais funções da empresa, incluindo finanças, gestão de capital humano, design de produtos e serviços, manufatura, gestão da cadeia de suprimentos e experiência do cliente.

  1. Integrar informações financeiras e não financeiras e colocá-las em pé de igualdade

Para colocar em prática qualquer estratégia, é necessário quantificar e analisar os resultados. Coletar e analisar dados de sustentabilidade é um passo fundamental para ter uma gestão holística de uma empresa sustentável.

  1. Medir e gerenciar as emissões de carbono de todo o ecossistema, não apenas do negócio

Transparência sobre as emissões de um produto por toda a cadeia de valor – incluindo produção, matérias-primas, uso de energia e transporte – é essencial para quantificar a pegada de carbono da empresa e reduzi-la.

Atualmente, as emissões são classificadas em três tipos: Escopo 1, Escopo 2 e Escopo 3. O primeiro se refere ao que é produzido diretamente pelo emissor por meio da queima de combustíveis. O segundo são emissões indiretas geradas pela energia elétrica comprada e consumida pelo emissor. O terceiro é decorrente da produção de outras entidades vinculadas ao emissor.

Ter métricas que permitam mensurar os três tipos é essencial para ter clareza sobre os investimentos reais e necessários para acelerar a ação sustentável e a inovação da empresa. Estudos mostram que as emissões da cadeia de suprimentos (emissões de escopo 3) são, em média, 11,4 vezes maiores do que as emissões operacionais.

  1. Abraçar a circularidade e se tornar regenerativo

Impressionantes 91% dos recursos materiais são perdidos em aterros sanitários ou vazam para o ambiente após o consumo. Portanto, uma estratégia sustentável deve incluir princípios operacionais para reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar materiais.

O passo seguinte é incluir ações de regeneração da natureza (como reflorestamento, restauração de áreas úmidas, incorporação de árvores e vegetação nas cidades e reabilitação de áreas costeiras e ecossistemas oceânicos).

  1. Priorizar as pessoas em toda a cadeia de valor

A sustentabilidade não tem a ver apenas com o ambiente. De que nos adiantaria salvar o planeta se as pessoas continuassem a viver em condições precárias? Para garantir que uma estratégia de negócios promova diversidade e inclusão e proteja os direitos humanos, as empresas devem ter visibilidade sobre sua própria força de trabalho, seu ecossistema e sua cadeia de suprimentos.

A América Latina é uma região que carrega em seu DNA a conexão com a natureza e a vida. É hora de ativar nosso gene sustentável para fazer ‘eco’ e multiplicar ações responsáveis no ecossistema da vida e dos negócios para gerar lucratividade que traga benefícios a todos.